Esportes

Jabulani versão 2026? Bola da Copa parece problemática para os goleiros

Em 2010, uma Copa do Mundo divertida na África do Sul acabou sendo ofuscada não apenas pelo barulho interminável das vuvuzelas, mas também pela bola do torneio.

A lendária Jabulani da Adidas tinha oito gomos termicamente colados e sulcos, criando uma bola lisa que virou uma das mais imprevisíveis de todos os tempos.

Jabulani significa “ser feliz” ou “alegrar-se” em zulu, sentimento que não era muito compartilhado pelos goleiros.

O espanhol Iker Casillas chamou a bola de “horrível”, enquanto o italiano Gianluigi Buffon a classificou como “inadequada e vergonhosa” para uma Copa do Mundo.

Dezesseis anos depois, outra polêmica envolvendo bola parece estar surgindo no Mundial, desta vez com a Trionda da Adidas.

A bola Adidas Trionda da Copa do Mundo é vista em uma coletiva de imprensa.

História se repete?

Vários gols foram marcados de longa distância durante a fase de grupos desta Copa, com chutes nem sempre no canto ou em altura difícil para os goleiros.

Jordan Pickford, da Inglaterra, não conseguiu parar o chute de Martin Baturina contra a Croácia. Luca Zidane, da Argélia, também não conseguiu defender chute de Lionel Messi, e o Iraque do goleiro Ahmed Basil sofreu diante de Kylian Mbappé.

O chute de Mbappé foi bem batido, mas não foi no canto, e o goleiro iraquiano só conseguiu encostar com a ponta dos dedos na bola.

Jogadores experientes debaixo das traves também acham que a bola tem certa culpa nesses gols.

Joe Hart, que em 2010 disse que a Jabulani “fazia tudo, menos ficar nas minhas luvas”, agora manifestou preocupação com a Trionda.

“Estou vendo esse gol acontecer vezes demais em uma Copa do Mundo para não ter algo estranho com essa bola”, disse o ex-goleiro da seleção inglesa.

“É aquela altura do ombro… assim que eles não usam o efeito de curva, assim que a bola não está girando, os goleiros estão tendo dificuldade. Estou percebendo neste torneio que os goleiros estão tocando na bola acima do ombro e mesmo assim não conseguem evitar o gol, então tem algo errado”, acrescentou.

O que mudou na bola?

A Trionda tem quatro gomos, o menor número já usado em uma bola de Copa do Mundo, e texturas em relevo na superfície — que segundo a FIFA “produzem estabilidade ideal no voo”.

Tão poucos gomos deixariam a bola muito lisa — como a Jabulani — então a Adidas aprofundou intencionalmente as costuras e adicionou três sulcos marcantes em cada gomo para estabilizar o fluxo de ar.

A bola também foi projetada pensando na umidade do verão norte-americano, com mais aderência para facilitar os chutes em condições quentes e úmidas.

O ambiente é outro fator importante que afeta a trajetória da bola.

Algumas partidas estão sendo disputadas em grandes altitudes, onde o ar é mais rarefeito, o que faz a bola encontrar menos resistência e viajar mais reta, como já visto em alguns casos.

Visão geral do interior do Estádio da Cidade do México.

Além disso, as condições contrastantes entre cidades como Cidade do México e Nova Jersey acrescentam mais um elemento de imprevisibilidade ao voo da bola.

Os jogadores também se acostumam a usar uma bola durante a maior parte da temporada e precisam se adaptar rapidamente a um modelo diferente em pouco tempo.

Pode parecer um detalhe pequeno, mas essas diferenças mínimas podem ser decisivas tanto para quem ataca quanto para quem defende.

Portal tri / Flashscore 

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