Em 2010, uma Copa do Mundo divertida na África do Sul acabou sendo ofuscada não apenas pelo barulho interminável das vuvuzelas, mas também pela bola do torneio.
A lendária Jabulani da Adidas tinha oito gomos termicamente colados e sulcos, criando uma bola lisa que virou uma das mais imprevisíveis de todos os tempos.
Jabulani significa “ser feliz” ou “alegrar-se” em zulu, sentimento que não era muito compartilhado pelos goleiros.
O espanhol Iker Casillas chamou a bola de “horrível”, enquanto o italiano Gianluigi Buffon a classificou como “inadequada e vergonhosa” para uma Copa do Mundo.
Dezesseis anos depois, outra polêmica envolvendo bola parece estar surgindo no Mundial, desta vez com a Trionda da Adidas.
A bola Adidas Trionda da Copa do Mundo é vista em uma coletiva de imprensa.
História se repete?
Vários gols foram marcados de longa distância durante a fase de grupos desta Copa, com chutes nem sempre no canto ou em altura difícil para os goleiros.
Jordan Pickford, da Inglaterra, não conseguiu parar o chute de Martin Baturina contra a Croácia. Luca Zidane, da Argélia, também não conseguiu defender chute de Lionel Messi, e o Iraque do goleiro Ahmed Basil sofreu diante de Kylian Mbappé.
O chute de Mbappé foi bem batido, mas não foi no canto, e o goleiro iraquiano só conseguiu encostar com a ponta dos dedos na bola.
Jogadores experientes debaixo das traves também acham que a bola tem certa culpa nesses gols.
Joe Hart, que em 2010 disse que a Jabulani “fazia tudo, menos ficar nas minhas luvas”, agora manifestou preocupação com a Trionda.
“Estou vendo esse gol acontecer vezes demais em uma Copa do Mundo para não ter algo estranho com essa bola”, disse o ex-goleiro da seleção inglesa.
“É aquela altura do ombro… assim que eles não usam o efeito de curva, assim que a bola não está girando, os goleiros estão tendo dificuldade. Estou percebendo neste torneio que os goleiros estão tocando na bola acima do ombro e mesmo assim não conseguem evitar o gol, então tem algo errado”, acrescentou.
O que mudou na bola?
A Trionda tem quatro gomos, o menor número já usado em uma bola de Copa do Mundo, e texturas em relevo na superfície — que segundo a FIFA “produzem estabilidade ideal no voo”.
Tão poucos gomos deixariam a bola muito lisa — como a Jabulani — então a Adidas aprofundou intencionalmente as costuras e adicionou três sulcos marcantes em cada gomo para estabilizar o fluxo de ar.
A bola também foi projetada pensando na umidade do verão norte-americano, com mais aderência para facilitar os chutes em condições quentes e úmidas.
O ambiente é outro fator importante que afeta a trajetória da bola.
Algumas partidas estão sendo disputadas em grandes altitudes, onde o ar é mais rarefeito, o que faz a bola encontrar menos resistência e viajar mais reta, como já visto em alguns casos.
Visão geral do interior do Estádio da Cidade do México.
Além disso, as condições contrastantes entre cidades como Cidade do México e Nova Jersey acrescentam mais um elemento de imprevisibilidade ao voo da bola.
Os jogadores também se acostumam a usar uma bola durante a maior parte da temporada e precisam se adaptar rapidamente a um modelo diferente em pouco tempo.
Pode parecer um detalhe pequeno, mas essas diferenças mínimas podem ser decisivas tanto para quem ataca quanto para quem defende.
Portal tri / Flashscore