Os paranaenses destinavam cerca de R$ 3,6 bilhões por ano às plataformas de apostas online, conhecidas como bets. Com a proibição dos jogos por uma medida provisória do Governo Federal, em setembro de 2026, a expectativa é que parte desse dinheiro volte a circular na economia, fortalecendo o comércio e o consumo das famílias.
O levantamento é do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). Segundo o órgão, a redução dos gastos com apostas pode representar um acréscimo de até R$ 2,3 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná.
De acordo com Julio Suzuki, diretor de pesquisa do Ipardes, os recursos que antes eram destinados às apostas poderão ser direcionados principalmente ao comércio varejista e atacadista.
Consumo nos supermercados apresenta crescimento
Os primeiros sinais de mudança já aparecem nos indicadores do setor supermercadista. Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), nas duas semanas seguintes ao fim das bets, o consumo das famílias nos supermercados aumentou 6% em nível nacional. Na região Sul, o crescimento chegou a 9%.
O aumento foi observado principalmente na compra de produtos essenciais da cesta básica, como arroz, óleo, macarrão e café.
Durante uma audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da Abras, João Carlos Galassi, destacou o impacto dos gastos com apostas sobre o orçamento doméstico.
Segundo ele, as famílias brasileiras deixaram de consumir mais de R$ 50 bilhões em alimentos ao longo do ano em razão dos recursos direcionados às apostas.
Proibição das bets ainda depende do Congresso
As apostas esportivas foram legalizadas no Brasil em 2018, mas a regulamentação do setor ocorreu apenas no final de 2023. Segundo os dados apresentados, o governo arrecadou aproximadamente R$ 15 bilhões com a tributação das plataformas.
Em 25 de setembro de 2026, o Governo Federal editou uma medida provisória que proibiu as apostas online.
As medidas provisórias têm validade inicial de 60 dias, prorrogável por mais 60, e precisam ser analisadas pelo Congresso Nacional para se tornarem leis definitivas.
O prazo para decisão dos parlamentares se estende até março de 2027. Caso não seja aprovada, a medida perde a validade.
STF discute legalidade da proibição
Na terça-feira (3), o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, realizou uma audiência pública para discutir a medida provisória que suspendeu as bets.
O encontro reuniu representantes de clubes de futebol, entidades da sociedade civil e integrantes do governo federal.
O debate servirá de subsídio para a análise de oito ações que tramitam no Supremo: quatro questionam a medida provisória que proibiu as apostas e outras quatro contestam a legislação que regulamentou o setor.
Até o momento, não há data definida para o julgamento.
Fonte: G1
