Notícias

“90 minutos de rosário na mão”: médico argentino que mora no Oeste vibra com mais uma final de Copa do Mundo

Pedro Espinosa está no Brasil desde 1983 e tenta controlar ansiedade para o último compromisso da seleção no Mundial.

“90 minutos de rosário na mão”: médico argentino que mora no Oeste vibra com mais uma final de Copa do Mundo
Foto: Reprodução

Quando Lautaro Martínez marcou o gol da classificação da Argentina sobre a Inglaterra, já nos minutos finais da semifinal, o médico Pedro Espinosa extravasou. Na sala de casa, em Ponte Serrada, no Oeste catarinense, vieram os gritos, os pulos e os abraços no filho, na esposa e até no cachorro da família, batizado com um nome bem sugestivo: Messi.

“Foi muito bom, emocionante. Muitos pulos, gritando gooool! Abracei meu filho Pedrinho, abracei até o cachorro, que chama Messi. Gritei ‘Te lo dije!’ (eu avisei!) Aquele gol foi o ‘ya está, estamos en la final’”, relata ao Oeste Mais.

A cena poderia ter acontecido em Buenos Aires, Córdoba ou Rosário. Mas aconteceu a centenas de quilômetros da Argentina, país onde Pedro nasceu e viveu antes de escolher o Brasil para construir a própria história.

Natural de San Antonio, na província de Misiones, ele chegou ao solo brasileiro em 1983. Há décadas mora em Ponte Serrada, onde atua como médico e constituiu família. Mas mesmo depois de mais de 40 anos no Brasil, admite que a Seleção Argentina continua despertando sentimentos impossíveis de controlar.

“Argentino de verdade não pisca na semifinal. É 90 minutos de rosário na mão”, garante ao falar do jogo mais recente na Copa do Mundo, em que a Argentina virou sobre a Inglaterra e garantiu presença em mais uma final.

Sofrimento

Pedro diz que acompanhou a semifinal desde os primeiros acordes do hino nacional. Para ele, assistir a uma partida decisiva da Argentina significa viver cada lance como se estivesse dentro de campo.

“Vi cada segundo. Quase infartei quando eles chegaram perto do gol”.

O sofrimento, segundo ele, passou a fazer parte da identidade do torcedor argentino, especialmente depois da conquista do Mundial de 2022, com vitória nos pênaltis sobre a França. “Depois de 2022 a gente aprendeu a sofrer, mas também a acreditar".

Argentina vira sobre a Inglaterra e chega à final da Copa do Mundo (Foto: Fifa/Divulgação)

Mesmo quando a Inglaterra saiu na frente do placar, ele conta que a confiança permaneceu. “Foi tensão pura. O coração apertou, mas parecia que a Argentina ia empatar. Era questão de tempo.”

A sensação virou realidade com Enzo Fernandes, aos 40 minutos do segundo tempo. Mas o melhor viria logo depois. Já nos acréscimos, Lautaro Martines marcou de cabeça o gol da virada e colocou a Argentina na final.

“Só respirei quando o juiz terminou o jogo” , lembra.

Uma ponte entre dois países

Embora nunca tenha deixado de acompanhar a seleção argentina, Pedro construiu praticamente toda a vida adulta no Brasil.

Foi em Santa Catarina que consolidou a carreira, fez amizades e criou os filhos. Ainda assim, a Copa do Mundo aproxima os laços com quem permaneceu do outro lado da fronteira.

“Tenho irmãos e sobrinhos na Argentina. Conversamos depois de cada jogo. É só alegria. Eles fazem muita festa antes, durante e depois.”

Curiosamente, a torcida em casa também ganhou sotaque brasileiro. “Todos os meus sobrinhos brasileiros torcem para a Argentina”, conta.

Segundo o médico, o carinho recebido dos amigos em Ponte Serrada também chama atenção. “Agradeço aos amigos daqui do Brasil que torcem pela Argentina. E são vários”.

À espera de mais um capítulo

Com a vaga na final assegurada, Pedro tenta controlar a ansiedade para o último compromisso da Copa do Mundo. O sonho é repetir a emoção vivida quatro anos atrás, quando a Argentina conquistou o tricampeonato mundial. Mas ele sabe que o sofrimento deve fazer parte da história mais uma vez.

Argentina e Espanha entram em campo pela última vez na Copa do Mundo de 2026 às 16 horas (de Brasília) de domingo, dia 19, em Nova Jersey. Se vencer, a seleção sul-americana será tetracampeã. Com um título, a Espanha busca o bicampeonato Mundial.

“Sonhar a gente sempre sonha. Depois do título de 2022, bateu aquele medo: ‘será que acabou o ciclo?’. Mas aí tu vê o Messi jogando, o Dibu Martínez, o Cuti Romero… e pensa: ‘pode ser’”.

----------------------
Receba GRATUITAMENTE nossas NOTÍCIAS! CLIQUE AQUI
----------------------

Envie sua sugestão de conteúdo para a redação:
Whatsapp Business PORTAL TRI NOTÍCIAS (49) 9.8428-4536 / (49) 3644-4443

Sobre os cookies: usamos cookies para personalizar anúncios e melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade.