A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) confirmou dois casos de hantavírus no estado e mantém outros 11 sob investigação. Os pacientes são moradores de Pérola d’Oeste, no Sudoeste do Paraná, e de Ponta Grossa, nos Campos Gerais.
O caso de Pérola d’Oeste, confirmado em abril, envolve um homem de 34 anos. Já o caso de Ponta Grossa foi registrado em fevereiro e envolve uma mulher de 28 anos. Além das investigações em andamento, outros 21 casos suspeitos já foram descartados.
Segundo a Sesa, os casos registrados no Paraná são da cepa silvestre da doença, transmitida por meio do contato com animais silvestres contaminados, principalmente roedores. O órgão reforçou que não há circulação do vírus Andes no estado — variante identificada em outros países e que pode ser transmitida de pessoa para pessoa.
A secretaria também destacou que os casos confirmados no Paraná não possuem relação com o surto divulgado recentemente pela Organização Mundial da Saúde (OMS), envolvendo mortes em um cruzeiro que saiu da Argentina com destino a Cabo Verde.
Em 2025, o Paraná havia registrado apenas um caso da doença, no município de Cruz Machado, no Sul do estado.
O hantavírus é uma zoonose viral transmitida principalmente pela inalação de partículas presentes na urina, fezes ou saliva de roedores silvestres infectados. Ambientes fechados e pouco ventilados, como galpões, paióis e silos, aumentam o risco de contaminação.
Entre os principais sintomas da doença estão febre, dores no corpo, dor de cabeça, mal-estar e sintomas gastrointestinais. Em casos mais graves, podem ocorrer falta de ar, tosse seca, queda de pressão e insuficiência respiratória.
A infectologista Gabriela Gehring explicou que nem todos os pacientes desenvolvem formas graves da doença. “Assim como outros vírus, nem todos os casos evoluem para formas graves. Algumas pessoas apresentam sintomas inespecíficos, enquanto outras podem desenvolver insuficiência respiratória”, afirmou.
Segundo a Sesa, não existe tratamento específico contra o hantavírus. O atendimento é realizado com suporte médico e acompanhamento hospitalar, sendo fundamental procurar ajuda médica ao surgirem os primeiros sintomas, especialmente após exposição a ambientes com possível presença de roedores.
As autoridades de saúde orientam a população a manter terrenos limpos, armazenar alimentos em recipientes fechados, retirar entulhos próximos às residências e utilizar luvas e calçados fechados durante limpezas. A recomendação também é realizar limpeza úmida em galpões, silos e paióis, evitando levantar poeira contaminada no ar.
