O sistema de pedágio eletrônico conhecido como free flow, em funcionamento no Sudoeste do Paraná desde fevereiro deste ano, deve ser ampliado para outras regiões do estado. A previsão é de instalação de pelo menos seis novos pontos de cobrança, enquanto o modelo segue sendo alvo de contestação judicial e debates políticos.
Diferente dos pedágios tradicionais, o free flow não utiliza cancelas. A cobrança é feita automaticamente por meio de câmeras e sensores, aplicando uma tarifa fixa definida em contrato para todos os usuários que passam pelos trechos monitorados.
Atualmente, o sistema opera em rodovias administradas pela concessionária EPR Iguaçu, responsável por 662 quilômetros no Oeste e Sudoeste do estado. São três pórticos em funcionamento entre Cascavel e Pato Branco.
A expansão já está em andamento. A EPR Paraná informou que quatro novos pontos estão sendo implantados nas regiões Norte e Noroeste, nas cidades de Jataizinho, Rolândia, Mandaguari/Marialva e Presidente Castelo Branco/Mandaguaçu. A expectativa é que comecem a operar ainda em 2026.
Outros dois pontos também estão em instalação pela concessionária Motiva Paraná: um na PR-445, em Tamarana, e outro na BR-376, em Mauá da Serra. Ambos devem entrar em funcionamento ainda no primeiro semestre.
Outras concessionárias que atuam no estado estudam a adoção do modelo, mas ainda sem definição. A Via Araucária avalia substituir praças tradicionais por pedágio eletrônico em trechos próximos a Curitiba, enquanto a Via Campo solicitou a implementação em uma praça específica. Já outras empresas informaram que não têm previsão de adesão ao sistema.
Questionamentos e ações na Justiça
A expansão do free flow enfrenta resistência. Parlamentares protocolaram ações na Justiça Federal pedindo a suspensão da cobrança e a não ampliação do sistema em novas regiões.
Entre os principais argumentos estão possíveis irregularidades contratuais e o modelo de cobrança adotado. Deputados afirmam que a legislação federal prevê tarifas proporcionais à distância percorrida, enquanto o sistema atual aplica valor integral independentemente do trajeto.
Também há preocupação com o risco de inadimplência, que poderia comprometer o equilíbrio financeiro dos contratos de concessão. Até o momento, não há decisão definitiva da Justiça sobre os pedidos.
Inadimplência preocupa
Dados da EPR Iguaçu indicam que cerca de 95% dos motoristas estão com os pagamentos em dia. Ainda assim, quase 6 mil usuários estavam inadimplentes até o fim de março.
No sistema free flow, o motorista precisa efetuar o pagamento por conta própria em até 30 dias após passar pelo pórtico. Caso contrário, a dívida pode ser inscrita em dívida ativa.
Onde já funciona
No Sudoeste do Paraná, os pontos ativos estão localizados em trechos das rodovias BR-163, PR-182 e PR-280, em cidades como Santa Lúcia, Ampére e Vitorino.
Como funciona o pagamento
A cobrança pode ocorrer de duas formas: por meio de TAG eletrônica instalada no veículo, que permite débito automático, ou pela leitura da placa, para quem não possui o dispositivo.
O pagamento pode ser feito por aplicativo, site, Pix, cartão ou presencialmente em pontos de atendimento e totens distribuídos em rodovias e estabelecimentos comerciais. Usuários com TAG têm direito a descontos, que aumentam conforme a frequência de uso.
A tarifa costuma ficar disponível para pagamento cerca de duas horas após a passagem pelo pedágio.
G1
